terça-feira, 29 de maio de 2007

A Literatura Mineira no início do século XX


Minas Gerais sempre foi um estado promissor na formação de intelectuais e de ilustres escritores nos últimos três séculos. Abrigo de grandes nomes, Minas esteve presente durante a evolução literária que ocorreu através de todo o período de composição dos novos cenários culturais do país. Do Clássico ao Barroco, do Romantismo à literatura atual, o estado mantêm a sua representatividade educacional nos vários segmentos literários do país.
Destacamos o poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens (1870 - 1921), autor de Kyriale e Dona Mística, considerado um dos maiores escritores mineiros do início do século XX. Nascido em 24 de julho de 1870, em Ouro Preto, Guimaraens é um dos expoentes mais criativos de nossa literatura. Sua obra pode ser associada ao misticismo e a religiosidade católica em que baseava a criação de suas peças. Os sonetos produzidos por ele refletem uma construção clássica, profundamente religiosa no sentido em que explora o valor da morte, a paixão semi-platônica, a materialização da solidão e a não adaptação ao mundo da época. O sentimento místico relatado em suas obras revela um conceito de aceitação e negação diante da própria vida, contracenando entre sofrimentos e dores. Outro detalhe que pode ser observado é a espiritualidade com que se refere à figura feminina, considerada por ele como uma criatura especialmente celestial.
No mesmo período, o escritor da escola realista Avelino Foscolo (1864 - 1944) escreveu algumas obras que se tornaram muito conhecidas, como O Mestiço (1903) que retrata hábitos sociais de uma fazenda e a triste realidade dos escravos, A Capital (1903) - sendo o primeiro romance ambientado em Belo Horizonte - onde denuncia as falcatruas da distribuição de lotes, O Caboclo (1902) e O Jubileu (1920). Foscolo foi membro da Academia Mineira de Letras.
A Academia Mineira de Letras foi fundada em Juiz de Fora, em 13 de maio de 1909. Seis anos depois, a sede foi transferida para Belo Horizonte.
Em 1917 aconteceu o lançamento de Trovas Cívicas, em comemoração ao cinqüentenário da cidade de Belo Horizonte. Seu autor, o escritor Djalma Andrade, concretizou sua obra História Alegre de Belo Horizonte, formada por uma série de crônicas sobre a capital mineira, somente em 1947. Durante vários anos essas crônicas foram publicadas no jornal Estado de Minas e consideradas como um grande sucesso literário da época.
Durante os anos 20, o país viveu uma nova conscientização artística com o surgimento do processo cultural da modernidade. Realizada em São Paulo, a Semana de Arte Moderna (1922) marcou definitivamente os rumos das artes em toda a sua plenitude.
Em Minas Gerais, a publicação de A Revista marcou o início do novo período da construção literária modernista no estado. Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987) foi um de seus idealizadores.
Editada em 1925 e 1926, além do próprio Carlos Drummond de Andrade, ela teve como mentores Emílio Moura (1902 - 1971), Francisco Martins de Almeida, Gregório Canedo e Pedro Nava (1903 - 1984). A revista, embora sem o teor radicalista das vanguardas, demonstrava suas preocupações com a expressão modernista e com o futuro literário do país.
Outra importante publicação modernista foi a Revista Verde. Criada por Francisco Inácio Peixoto, Guilhermino César, Ascânio Lopes e Enrique Resende, a revista era um espaço para se discutir e divulgar as idéias modernistas, onde eram publicados textos e poemas dos autores. Os quatro escritores eram da cidade de Cataguases e, influenciados pela Semana de Arte Moderna, entraram para o seleto grupo dos maiores escritores brasileiros do século XX. A revista teve apenas cinco números publicados, todos editados entre setembro de 1927 a janeiro de 1928. A edição extra concedida em 1929 foi uma homenagem a Ascânio Lopes. Os movimentos literários baseados nesse tipo de publicação que eram editados fora do Rio de Janeiro ou de São Paulo foram chamados de vanguardas dispersas. As gerações formadas durante os anos 20 e 30 foram as grandes responsáveis pela renovação literária em Minas Gerais.
Leia também, no blog Balaio Gerais, sobre a Semana Literária na Faculdade Estácio de Sá de BH. (CS)

Imagem retirada do site www.google.com

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